quarta-feira, 31 de março de 2010

Pode uma turma de faculdade ter um estatuto?

Este post vai em homenagem a Laurinha: aquela que sempre explica a matéria para gente, que põe todo mundo pra estudar, que arruma as festinhas e faz os bolos que não são de massa pronta, que me pede pra atualizar o blog sempre e que, assim como eu, acredita no poder do Estatuto da Sala!
Começando:

A minha turma da faculdade nunca foi muito unida. Desde o primeiro semestre que isso é notável. Tudo bem que eu cheguei à sala com uma ou duas semanas de atraso e acabei já entrando para um grupo “pré-pronto" porque uma das meninas estudou comigo no Santo Agostinho e, então, não pude ver como foi o primeiro contato entre a turma e acabei me aproximando dessas meninas mesmo sem me preocupar muito com o resto da sala. No máximo, conversava com mais umas 3 ou 4 pessoas.
Por termos notas boas e sentarmos nas primeiras carteiras fomos rotuladas como nerds, até mesmo por professores, tal como a prof. de Sociologia que nos chamou de "bam-bam-ban's" da turma numa apresentação de trabalho, e com isso a maioria das pessoas não gostavam do nosso grupo e nem vinham conversar conosco- a não ser sobre assuntos referentes ao curso ou a certa matéria-. Tudo bem, eu tinha minhas amigas e não via problema em não conversar com outras pessoas. E assim como nós, outros grupinhos foram se formando e se separando cada vez mais. Cada um com seu jeito de ser, suas opiniões, sua maneira de trabalhar, de falar. Foi aí que entendi a frase que sempre me falaram: "A PUC é um colégio grande!”
À medida que os semestres foram passando a situação quanto a desunião da sala foi só aumentando, atingindo um dos seus ápices neste ano, 3º semestre. Alguns alunos gostam de dar suas opiniões só para mostrarem que tem uma. Mesmo que esta seja infundada, que seja ridícula! Fazem-me lembrar daquele personagem das tirinhas do Maurício de Souza, o Do contra, lembram?! Pois bem, para esses alunos o legal é falar o contrário do que os outros pensam.
Vou relatar o fato aqui: em uma semana tivemos prova de Dir. Penal, trabalho de constitucional e teríamos a prova de Dir. Romano. O que propusemos: adiar a prova de Dir. Romano para semana seguinte, pois não teríamos nenhuma prova na outra semana. Dessa vez, até tivemos apoio de mais alguns grupos, afinal a matéria era muito grande e como todos estavam preocupados com a prova de Dir. Penal, o direcionamento do estudo foi pra essa matéria. Mas, claro, lá estavam os "do contra" pra dar palpite! "Não pode mudar a prova! Se não estudou até agora, não vai estudar mais!" E outras coisas que me dão até preguiça de transcrever aqui!

(Comentário paia: eu entendo que se essas pessoas que estavam reivindicando fossem realmente estudiosas, que prestassem atenção na aula, fizessem perguntas, participassem, fossem boas alunas e coisa e tal, seria até entendível o pedido para o não adiamento da prova, mas não eram! Eram alunos meia-boca, que depois vem pedir caderno emprestado, pedem pra explicar matéria e levam professores na ouvidoria sem ao menos darem direito de resposta, e depois, somem!)

Eu realmente não entendi o argumento usado por esses alunos afinal, o adiamento de uma prova beneficia a todos os alunos: os que estudaram, poderão aprofundar mais a matéria e entendê-la melhor e, aqueles que não estudaram, poderão estudar e, talvez, irem bem na prova. Então, por que não um adiamento da prova de Direito Romano?! Por que só decoraram a matéria?! Talvez. Por que queriam ir melhor que as tidas como "melhores" da sala? Não!! Porque queriam ser do contra, é claro!

(Obs.: o único argumento que eu entendi foi de um aluno irregular, que por motivos de incompatibilidade de horários e de ter mais provas na semana seguinte, não queria que mudasse a prova. Ainda assim, acho que ele poderia ter aberto uma exceção afinal o tal aluno é professor de história e filosofia e, portanto, eu acho que saberia bem a matéria. Além disso, por ser um bom aluno, como acho que é não precisaria estudar muito para essa prova já que já teria estudado. Ou seja, só precisaria fazer uma pequena revisão. Mas, se podemos complicar e criar POLÊMICA, por que facilitar não é mesmo?)
(Obs.2.: Não me considero nerd ou a melhor da sala. De jeito nenhum. Sei de alunas que estudam muito mais, que tem notas maiores e que, ainda assim, não são taxadas dessa maneira.)

Pois bem, propusemos uma votação. Votação sempre resolve os problemas né? Não na minha sala! Porque não poderíamos votar se a sala toda não estivesse presente. Mas e se a maioria estivesse?! Por mim, poderia haver votação. Mas não! Democracia não é isso: não é a vontade da maioria... Mas também não é a vontade da minoria, é!? Infelizmente, nesse caso foi! Não tivemos como contra-argumentar o professor. Ele é a autoridade máxima dentro da sala... E como neste caso a prova já havia sido marcada com antecedência e não estavam todos presentes, ele acabou optando por manter a prova no dia marcado.

(Quero deixar claro que não tenho nada contra a atitude do professor, pois este estava disposto a mudar o dia da prova sem nenhum problema e somente optou por manter a prova para que não houvesse mais discussão e porque acreditava que a turma toda deveria estar presente e me falou que a sala não é uma democracia!!! Outro motivo: adoro esse professor! Simpático, eficiente, paciente! Será homenageado na nossa formatura e pra isso não vai haver votação ¬¬')
E o que tem a ver o título deste post?

Tudo! Eu e mais algumas alunas queremos propor um estatuto para a nossa sala estipulando coro de votação para adiamento ou antecipação de provas, para antecipação de horários quando houver horário vago e para outros problemas que surgiram ou ainda estão para surgir nessa sala cheia de pessoas "do contra".

E aí, isso é  permitido ou não?

(Isso ainda tá entalado na minha garganta e se eu pudesse, pegava cada um que pediu o não-adiamento e espancava... mas, como boa estudante de Direito que sou, sei que não me encaixaria em nenhum excludente de culpabilidade.. Se bem que eu me colocaria em estado de necessidade ou quem sabe uma legítima defesa... hahahah!!!)

Um comentário:

  1. A-D-O-R-E-I o texto..
    Infelizmente o prazer de algumas pessoas é atrapalhar a vida de outras.. Quando não tem o que fazer, procuram uma tarefa para contrariarem a maioria das opiniões e se apresentarem como os diferentes, que não se levam pela vontade geral,
    “defendendo” uma minoria que nem se apresenta, ou pediu para ser representada.. não se sabe ao certo..
    Mas o estatuto seria bom.. Só que os “do contra” se oporão contra a criação deste estatuto.. E é provável que ele nem saia do "papel".

    Ps: não se preocupe com o destino da sala não.. a tendência é só piorar, afinal de contas, essa não foi a primeira e nem vai ser a última vez que tais acontecimentos mudam a decisão da turma.. O incrível é que esse tipo de coisa só ocorre no nosso curso.

    ResponderExcluir